Como não usar o cartão de crédito me ajudou a economizar durante o mês (ou: a grande lorota do dinheiro de graça)

Como a grande maioria das pessoas, o grande sumidouro de dinheiro aqui em casa é o supermercado. Por mês, gastamos uma média de $527 só em compras para casa (comparativo dos últimos 12 meses), fora restaurantes ($147/mês) e eventuais fast food ($50). Se somarmos, esses valores são aproximadamente 20% de todas as nossas entradas de dinheiro. Em um ano, isto é um valor considerável e achei que seria um movimento inteligente aderir a um cartão de crédito cash back, que dá de volta o equivalente a 2% do gasto em supermercado.

Isis Bussons foi convidado a ter o seu artigo em ContaAzul Notícias por trazer um ponto de vista interessante acerca de um assunto que interessa ao empreendedor. Exceto por essa nota, o texto foi publicado na íntegra.

O cartão não tem anuidade e o objetivo seria utilizar somente para compras para casa, para ter o tal do retorno de tempos em tempos. Depois de um ano de uso, eu me dei conta de algumas coisas:

  1. Para conseguir o cash back (que fica "piscando" no alto da sua fatura todos os meses), eu precisava ligar para o cartão de crédito e entrar num daqueles menus eletrônicos insuportáveis. Tempo de telefone nas 2 vezes que eu liguei: pelo menos 25 minutos;
  2. Todos os finais de mês, quando vencia a fatura, eu tinha a impressão de gastar mais do que precisava realmente;
  3. Depois de um ano, o retorno foi de exatos $70.
Tá, eu sei. Caí no conto do dinheiro gratuito.

Eu sou daquelas que analisa os gastos de tempos em tempos e gastar tanto dinheiro e ter de volta um pouquinhozinho bem abaixo do esperado, vou dizer que fez eu me sentir um pouco idiota. Então, eu comecei a pesquisar bastante sobre cartões de crédito e padrões de consumo. Topei com um filme no Youtube que fala exatamente sobre isto.

Cartão de crédito versus Dinheiro. Estudos indicam que as pessoas desembolsam 47% a mais utilizando o crédito. É uma questão comportamental: você não "sente" o dinheiro saindo do seu bolso. Decidida a baixar os valores das compras do supermercado, resolvemos fazer o teste de não utilizar o dinheiro de plástico durante um mês.

Mesmo que você pague o seu cartão em dia e nunca compre parcelado (aqui no Canadá nem sequer existe esta possibilidade), você continua pagando para as empresas de cartão de crédito — seja em anuidade, seja em percentual sobre a compra que o lojista tem que pagar e que recai sobre o preço final da mercadoria. A verdade é que os bancos não perdem nunca e é certo que este dinheiro do cash back veio de algum lugar. Provavelmente, mascarado dentro do que eu mesma comprei, o que torna este retorno ilusório.

Filme completo do In Debt We Trust. Vale a pena assistir.

A estratégia. Separei as contas por semana de pagamento — meus rendimentos entram a cada 2 semanas e os do marido, todas as quintas-feiras. Depois de pagar as contas do mês com antecedência, seguindo o Sistema de Envelopes (se você não sabe o que é isto, sugiro dar uma olhada aqui), coloquei de lado, a cada semana, o equivalente ao objetivo de gastos em alimentação ($500 para supermercado e $100 para restaurantes).

O resultado da experiência: um mês sem cartão de crédito. Decidimos pagar tudo em débito e os valores baixaram consideravelmente, comparado com os valores de outubro. Apesar do mês anterior nosso rendimento ter sido o maior durante os últimos 6 meses, tivemos outras despesas — minha mãe veio nos visitar e passou o mês aqui, o que sempre rende mais passeios e idas a restaurante. Em novembro, para compensar, tivemos o aniversário do Marido, que acabou em um restaurante — mesmo que já estivesse previsto em nosso budget, de algum lugar este dinheiro saiu :)

Meu comparativo dos dois meses: uma diferença de $329, ou 35%

A verdade é que, por esta experiência, eu vi que estou mais predisposta a gastar no cartão do que em dinheiro ou débito. É verdade que dói mais tirar o dinheiro da carteira toda a vez que você precisa pagar algo. E muitas vezes, eu pagava e ficava pensando: será que realmente precisava comprar isto ou aquilo em promoção? O que eu posso congelar, o que eu posso deixar pré-preparado e o que vence mais rápido? Ficar mais consciente dos gastos nos ajudou a economizar e esses $330 podem ter um destino mais inteligente, como nosso investimento. A outra coisa é que o cash back realmente não vale a pena, se pensarmos na economia que acabamos fazendo só em não gastar. "AHHH! mas e se você se controlar?" Minha conclusão é que isto vai além do auto-controle. Quem já não passou por uma prateleira e pensou que PRECISA de mais alguma coisa, que uma caixa de biscoitos a mais não vai fazer diferença, ou que você MERECE aquela cerveja mais cara, porque sua semana foi difícil?

O futuro. Pensando nisto, fiz um pequeno planejamento financeiro para o ano 2016/2017, que inclui não usar mais os cartões de crédito. Realmente, crédito não vale a pena. :)

A gente não fica rico mas, consegue guardar nosso dinheirinho suado, o que é uma grande coisa

Prometo dar os resultados da minha experiência de viver sem cartão nos próximos meses. Especialmente com a chegada do Natal, a tentação vai ser muita mas, quem sobreviveu a um Black Friday, não vai morrer de tristeza. Not Today, Satan. Not today.

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A novidade é que estou voltando a fazer minhas costurinhas, o que me deixa muito feliz. Por enquanto, só faço entregas no Québec e estou desenvolvendo outros produtos — aos poucos, como tudo na minha vida agora, porque ando mais concentrada no bebê de 4 meses que tenho nos meus braços enquanto escrevo. Em breve, pretendo enviar para outros locais via Etzy. Então, 'bora curtir a página da Beau Lapin no Facebook, porque é bem bonitinho o meu projeto.