Planejamento financeiro e controle do dinheiro é sinônimo de tranquilidade para vários aspectos da vida.

Planeje a sua vida em 2017

Em finanças a gente aprende da pior maneira possível

Todos fazemos decisões ruins. Na verdade, você precisa fazer uma série de péssimas decisões para, finalmente, acertar uma. É normal. Eu já tomei muita decisão horrível, especialmente sobre dinheiro. Eu não tive educação financeira nenhuma, passei anos indo e vindo do SPC e tive que bater muito a cabeça até aprender a fazer meu primeiro orçamento. Lembro de um amigo quando soube que eu estava endividada. Eu recebi aquele olhar de cima, como se eu tivesse feito algo muito, muito errado. A verdade é que, em um momento delicado, a última coisa que a gente precisa é de julgamento.

A nossa já querida Isis Bussons foi convidada a publicar artigos em ContaAzul Notícias por trazer um ponto de vista interessante acerca de um assunto que interessa ao empreendedor. Exceto por essa nota e pela ilustração na abertura do artigo (necessária para manter a experiência visual da página inicial do www.noticias.contaazul.com), o texto foi publicado na íntegra. Ela já mandou vários textos bem úteis, que valem a pena serem lidos com atenção.
Esta não é uma história de amor: é sobre a sua conta no banco

Finanças mexem com o ego da gente, mexem com quem você é e uma má administração do dinheiro fazem você duvidar da sua capacidade de prover, de ser maduro e de se responsabilizar por algo. Por isto, o juízo das pessoas ao redor dói tanto e, pelo mesmo motivo, a gente não deveria julgar. Muitas pessoas não fazem de má-fé: a maioria é ludibriada por um banco, por uma oferta incrível ou por uma oportunidade imperdível. Quando você passa a não acreditar em nenhuma instituição financeira e o seu lema vira "não há almoço grátis", você percebe que amadureceu financeiramente.

Lugares muito caros fazem eu me sentir assim

O que a gente não se dá conta é que não somos os únicos a fazer burrices com o dinheiro — sim, você não está só: 70% das pessoas têm algum tipo de dívida, seja cartão de crédito, seja uma casa, seja um carro. Isto quer dizer que 70% das pessoas que você conhece vivem além do que podem. Então, aquele seu amigo designer supercool, que viaja todos os anos e que tem um carro maneiro, trabalhando em uma startup: está endividado (ou vivendo às custas dos pais). Aquela sua amiga de cabelo impecável, de unha feita e bolsa Louis Vuitton: endividada. Aquele outro que comprou uma casa agora e que posta fotos no Instagram na piscina: endividado até as orelhas. Veja só: eu não acredito em "dívida boa". Todas as vezes que alguém se quebra financeiramente, um outro alguém está lucrando com aquilo — normalmente, é uma instituição financeira. Acho que não estou contando novidade alguma se digo que os bancos contam com a inocência e desinformação das pessoas para vender os seus produtos: seja empréstimo, seja leasing, seja cartão de crédito. Alguém está lucrando porque outro alguém quer viver com mais do que pode.

A verdade é que a todo mundo pensa que os outros são mais ricos enquanto a realidade não é bem esta. Uma grande maioria das pessoas não consegue guardar nenhum dinheiro no final do mês e uma boa parte mal consegue pagar as contas fixas. Isto é: tem gente que compra o que não pode, dirige o carro que não pode, tem as férias que não poderia ter. O pior é se dar conta que as pessoas que a gente quer impressionar não se importam com nada disto. Precisamos parar de viver uma vida de fachada.

Quem já não pensou em mandar um bolo assim para algumas pessoas?

Quando você compra o que você não pode, acaba compromentendo seu orçamento futuro, que poderia servir para um plano de previdência, uma economia para uma viagem ou uma emergência. O primeiro passo seria ser REAL com a sua situação financeira, independente do que seus amigos e parentes estão comprando ou fazendo.

  • Fazer um orçamento (aqui tem uma série de planilhas e apps que podem ser úteis)
  • fazer uma análise de custos e cortes possíveis (o que faz diferença se você cortar? TV a cabo, baixar o custo do celular e das compras de supermercado ou até mesmo uma mudança para um prédio onde se paga menos condomínio são alguns exemplos)
  • Planificar seus próximos passos e o que fazer para chegar lá: seja pagar todas as contas (você precisa saber o que está devendo e para quem), seja fazer um investimento (você precisa saber taxas de mercado e quanto investir a cada mês) ou qualquer outro objetivo que possa manter a motivação em economizar

O importante é não gastar tudo o que você ganha e planificar os gastos. Para isto, alguns sacrifícios são necessários — é preciso frear o consumismo e pensarmos num futuro onde as pessoas não tenham dívidas até as orelhas e possuem um monte de coisas inúteis.