Sobre a minha obsessão com orçamentos

É assim que eu me organizo: um caderno onde eu anoto as minhas entradas/saídas/planejamentos, um calendário onde eu coloco a data de vencimento de contas a pagar, Ipad com 3 apps de planejamento financeiro e muitas, muitas canetinhas e post-its

Eu e meu marido não fazemos muito dinheiro por ano. Foi uma opção: queríamos aproveitar a vida ao invés de trabalhar como loucos. Queremos nos aposentar e ir morar na casa de campo dele. Queremos construir uma tiny house, continuar plantando, cuidando dos gatos e do nosso filho. Queremos ter somente um carro e continuar indo ao trabalho a pé ou de bicicleta. Queremos continuar morando perto do trabalho, almoçar em casa, curtir com os amigos, não comprar coisas que não precisamos, não desperdiçar e nem se enlouquecer com dívidas malucas ou com um estilo de vida que não é o nosso.

Isis Bussons foi convidada a ter o seu artigo em ContaAzul Notícias por trazer um ponto de vista interessante acerca de um assunto que interessa ao empreendedor. Exceto por essa nota, o texto foi publicado na íntegra.

Nossa sorte é que eu e ele temos objetivos comuns e a gente sempre falou sobre dinheiro — porque a gente sabe que, mesmo que você tenha uma vida frugal, você precisa se planejar. E planejar com a convicção de que isto não vai te fazer mais rico mas, vai te ajudar a ter uma aposentadoria digna, a dar uma boa educação para o nosso filho e alimentar o cérebro e o coração com livros, filmes ou um picnic no parque.

Um estilo de vida mais frugal te permite olhar menos para dentro da carteira e mais para o mundo lá fora (sim, esta é a imagem que eu vejo quando estou indo para o trabalho, olha que sortuda que eu sou)

Eu aprendi bastante tarde a fazer orçamento. Ninguém me ensinou — talvez minha antiga psicóloga havia me trazido minhas primeiras luzes — então, boa parte do caminho eu fiz sozinha. Foi muito difícil porque NINGUÉM falava sobre dinheiro no Brasil. Nem na minha família, nem entre meus amigos, menos ainda com namorados/maridos (desculpem os namorados/maridos, não é culpa de vcs, eu juro!). Brasileiro, de um modo geral, tem horror a pobreza e ao que se aproxima dela (como dizia aquela personagem da Fernanda Montenegro: Pobreza PEGA!).

Conheci muita gente na vida com complexo de Bia Falcão

Brasileiro tem tanto medo de ficar pobre que finge que é rico. Só que, nesse fingimento, as pessoas não discutem e nem compartilham informação, com medo de serem roubadas, de “olho gordo” ou de serem julgados. Para estes que julgam, eu só digo que uma grande parte dos brasileiros possuem uma dívida de qualquer natureza, coisa que só vim a saber depois que fui morar fora. Até então, na minha cabeça, eu era a única pobre quebrada.

Hoje, eu digo que sou uma budget freak porque isto é o que me ajudou a atingir meus objetivos. E eu acredito que falar abertamente sobre finanças é a melhor maneira de aprender.

Eu, no esforço de entender porquê isto era uma fraqueza tão gigante, estudei Finanças e acabei fazendo uma especialização em Contabilidade aqui no Québec. Eu aprendi a gostar de cuidar do nosso dinheiro — leio aqueles blogs chatíssimos do Wall Street Journal ou Forbes, para acompanhar a bolsa de valores, minha nova mania.

Veja como eu cresci: eu era uma pessoa que não tinha a menor ideia de quanto tinha na conta bancária e hoje sou aquela que os amigos pedem conselhos financeiros.

Eu querendo mostrar como fazer um budget para todo mundo #budgetsaresexy

Tudo isto para dizer: pessoas, percam a vergonha de falar sobre dinheiro. Percam o medo de dizer que você não tem grana, que o seu emprego paga mal e que você não acha justo o seu chefe ser murrinha reclamando que você bebe muito café no escritório. Perca o medo de dizer para os seus amigos que você não tem dinheiro para sair. Sabe por quê? Porque só assim você vai ver que tem mais gente na mesmíssima situação e que tem uma pá de gente fingindo que não tem problema. Não faça como eu, que pintava o mundo cor-de-rosa por não querer ser julgada mas, de noite, era somente eu e os meus medos.

Vamos falar sobre dinheiro porque só assim a gente se liberta de empregos ruins, de chefes tiranos, de pessoas que não ajudam em nada na nossa vida e de parceiros manipuladores. Ter uma vida digna é um direito que todo mundo deve ter e a gente só vai conseguir isto com muito planejamento.